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A Crónica do dia

Ana Loura,Emanuel Sores, José H. Chaves, Nuno Barata e Sérgio Ferreira, levam à antena de segunda a sexta, às 11 e 17 horas A crónica do dia em 103.2 FM

segunda-feira, Setembro 06, 2004

A crónica do dia
Hoje com Ana Loura


Crónica Nº 22

Bom dia!

Ora lá se acabaram as férias e voltamos ao convívio com os ouvintes do Asas.

Nesta minha primeira crónica depois das merecidas férias dadas a quem nos acompanha através da rádio quero deixar-vos um texto escrito a 29 de Agosto de 1987 e que tem a ver com o 20 aniversário da Maré, do Festival Maré de Agosto um dos mais antigos do país.

Dizia eu há 17 anos:

Recado à Maré de Agosto
Bem do fundo das minhas recordações emerge uma imagem de maré cheia na preia-mar e tão baixa na baixa-mar que eu, os meus irmãos e os outros putos das redondezas esperávamos com a maior alegria essa maré baixa, pois o areal da "nossa" praia ficava ainda maior, com tantas poças de água que cada um de nós tinha a sua pequena piscina privativa, as poucas rochas ficavam a descoberto e era uma alegria ver os pequenos peixes, as anémonas e as algas, apanhar conchas, búzios, apanhar mexilhões e lapas para o arroz que a Mãe faria.
Maré de Agosto eram as amoras que se apanhavam a caminho da praia, devagar, não fosse a maré estar ainda alta...
Maré de Agosto era as marés vivas de S. Bartolomeu.

Hoje, Maré de Agosto é a Festa esperada ao longo de meses. Vivida numa semana, deixando a nostalgia que deixam as coisas tão boas que deveriam nunca acabar.

Maré de Agosto!
Como foi bom o nunca imaginado encontro com a lenda dos Andes, com o espírito de Jara, com a saudade de Angel Parra e todos os amigos de Allende que cantaram e cantam a magia da música Latino-americana e a esperança de que a vida volte a mudar.

Como foi bom reouvir e rever a Brigada da nossa música, da música que faz o pé saltar e as mãos baterem a compasso.

Como foi bom ouvir, embora por escassos minutos o Zeca Medeiros.

Como foi bom reouvir e rever os Rimanço, os Toques e todos os outros que têm feito a Maré subir ao longo destes anos.

Os Extreme. As palavras não têm a força necessária para dizer do quanto senti! A juventude, o som, o espectáculo, a melodia maravilhosa de uma das mais belas baladas que já tenha ouvido. E não ter ficado um disco para os momentos de saudade!
Como foi bom ter os Fringe tão perto com os seus Touros da Terceira, ouvidos e sentidos na quase intimidade da Chaminé. Três grandes amigos da Maré. Amigos da Primeira Hora, do nascer e crescer da Maré.

Como foi bom saber que em Santa Maria há jovens que fazem da música um modo de estar e participar. Foi bom ouvir e ver os Águias dos Açores.

Foi bom ouvir e ver todos os outros que estão na Maré desde o primeiro dia.

Que bom sentir o calor, a força, a "militância" do Antoine Laborde, do Luís Bettencourt, do António Sousa, do Zé Maria Bairos e de todos os outros que deram as suas forças, o seu descanso, o seu melhor para que a Maré fosse, ainda, mais cheia mais Maré de Agosto.

Ao contrário do que desejava no meu tempo de criança, hoje desejo do fundo do coração do uso completo da Razão que a Maré não vaze, que não fique o vazio e a nostalgia sem esperança de que a Maré possa ser e ser, ainda, mais Maré de Agosto para os próximos anos.

Força, amigos, que as esperanças não concretizadas este ano não sejam motivo para o vazar da Maré. Valeu e valerá a pena.

Um abraço.
Santa Maria 29 de Agosto de 1987
Ana Loura

Foi este o meu recado à Maré há 17 anos.
Este ano foi ano de festa, festa que não houve a não ser nos óptimos espectáculos e no antecipar do Festival em dois dias em que o palco foi açoriano e o lançamento do livro, bem escrito pela Laurinda e ilustrado com fotos de todos estes anos, realizado no bar da Maré com a presença de alguns amigos de sempre e outros mais recentes.

Que a Maré não vaze nunca!

Abraços marienses

Ana Loura
Santa Maria, 06 de Setembro de 2004


posted by asas  # 9/06/2004

quarta-feira, Julho 21, 2004

A crónica do dia
Hoje com Ana Loura

Esta é a crónica referente ao dia 19 de Julho. Pelo atraso peço desculpa

Crónica nº 20


Hoje prometo que não vou falar da visita do Governo e de mais um grito a estragar a paisagem da nossa pacata ilha: o outdor, o enorme cartaz com o desenho do novo matadouro. Continua a parecer que quem grita mais alto, enche a paisagem com metros de auto promoção fala verdade e tem razão.

Bom afinal já falei mais do que pretendia...

Hoje eu quero falar das minhas emoções do fim-de-semana, das minhas decepções e alegrias.

Na Sexta e no Sábado fui aos Anjos. Tinha recebido um convite para assistir a uma conferência sobre fotografia e tinha visto anunciado o festival de música Blues/Jazz organizado pela Associação Os Escravos da Cadeinha e que haveria serviço de restaurante. Eu que andava a precisar de arejar as ideias, sair das minhas rotinas e alimentar o corpo e a mente lá fui com o meu filho aproveitar pois nem sempre "há mais marés que marinheiros", os eventos musico/culturais não são frequentes nas épocas invernosas e agora é um "fartar vilanagem", " não há fome que não dê em fartura", e vamos cedo pois com a fominha de eventos se não vamos cedo estacionas o carro na Vila....

Lá fomos para os comes e bebes do corpinho: aquela gente cozinha que é um assombro. Tudo apaladado, bem cozinhado, fartura, acompanhado com um vinho que também era a preceito...
Acabado o repasto fomos ao barracão em frente apreciar as exposições de algumas associações cá da terra que incluíam uma pequena mas interessante mostra de artesanato. Um artesão me chamou particularmente a atenção. Um jovem que com palitos de fósforo constrói miniaturas de casas e fontanários marienses. Muito interessante forma de ocupar o tempo. Lindo mesmo. A mostra estava muito bem montada e apresentada.

Entretanto sentei-me à espera da comida para a mente. Pus-me a olhar de roda, a poisar os olhos na "meia dúzia" de pessoas que estavam no recinto e a pensar: teve esta gente esta trabalheira toda para meia dúzia de gatos-pingados, meia dúzia na qual estavam incluídos eu e o meu filho. Afinal a fome de cultura aqui em Santa Maria é virtual, não existe. "Pérolas a porcos" pensei eu. Vão levar bordoada da velha na minha crónica, como alguém insiste dizer que eu dou mas não dou que eu sou muito respeitadora do outros. Acreditem que fiquei triste por ver tão pouca gente. Começou o espectáculo com o grupo de Maria Viana, uma das poucas vozes femininas portuguesas dedicadas ao Blues/jazz e filha do meu querido e falecido camarada o actor José Viana. Apesar de não ser dona de uma voz potente gostei muito das interpretações suas e do bom grupo que a acompanha. Fiquei absolutamente rendida ao grupo que actuou depois dela, uns galegos que se fizeram acompanhar por um exímio tocador de harmónica de boca. Blues rurais, com tábua de lavar Kazoo e tudo. Um espectáculo. A meio do espectáculo apercebi-me que o recinto ia enchendo e o que ao princípio não passava da meia dúzia dos gatos-pingados já ultrapassaria a boa centena...afinal em Santa Maria há é o mau hábito de se começarem as coisas tarde e a más horas e a malta pensa que é sempre assim e não acredita que uma coisa marcada para as 22 comece às 22:20.

No Sábado repeti os alimentos do corpo que mais uma vez estavam dignos dos deuses do Olimpo. Desde os salgados às esmeradas sobremesas passando pelo vinhinho.

O programa musical começou por uma autêntica surpresa: os nossos polivalente músicos da Ronda da madrugada, os manos Furtado e o Roberto Freitas, os do costume, acompanharam com mestria um senhor que penso canadiano ou luso-canadiano, um interprete fabuloso de Blues. Um extra programa que foi uma delícia. Depois dois grupos do continente fizeram as delícias de quem desceu aos Anjos naquela noite. Perdeu quem não foi. O espectáculo terminou ao jeito do famoso "espírito da Maré" que fez dela o festival mais conhecido e importante dos Açores. Todos ao palco num Anjos all stars . É um bom pronuncio. Acho que teremos daqui a vinte anos a vigésima edição deste festival, só espero que ele não perca o "espírito" e engrandecendo-se não perca a dimensão intimista que teve este ano. Parabéns organização e obrigada pelos momentos de felicidade que passei neste fim-de-semana.

E agora "pérolas a porcos" mesmo: na conferência organizada pelo CAV estivemos menos que meia dúzia de pessoas para além da organização. Só perdeu quem não foi e esses foram muitos...e depois digam que não há, que lá fora é que é bom...

Boa semana
Vila do Porto, 19 de Julho de 2004 Ana Loura


posted by asas  # 7/21/2004

segunda-feira, Julho 12, 2004

A crónica do dia
Hoje com Ana Loura

Peço desculpas aos leitores deste espaço por não ter inserido as crónicas feitas nos últimos tempos, mas estive de férias em Vila do Conde sem acesso à internet. Vou inserir as crónicas lidas aos microfones do ASAS durante esse tempo. Não ficarão por ordem cronológica, mas mesmo assim acho que as devo inserir.

Crónica Nº 15
Acho que todos temos um mau relacionamento com a morte das pessoas, que de qualquer forma, nos são chegadas, fruto de uma educação que não reconhece a morte como um fim natural de todo o ser vivo.
Para nós, os que, por qualquer razão amamos, são eternos. Mas a vida é finita e deveríamos estar sempre preparados quer para o nosso fim quer para o fim dos outros. Mas não é assim, e somos sempre colhidos de surpresa quando morre alguém. Foi assim nestes últimos dias com a súbita morte de Sousa Franco, quase transmitida em directo pelas nossas cadeias de televisão, quer com a morte de Lino de Carvalho.
No caso de Sousa Franco nada fazia prever que a morte estivesse assim eminente. Aparentemente ele "vendia saúde" apesar de se ter concluído, posteriormente, que havia histórico de acidentes cardíacos anteriores mas sem queixas ou diagnósticos.
O Doutor Sousa Franco era um economista de renome que deixa um grande vazio no quadro político nacional.
Lino de Carvalho faleceu "vítima de doença prolongada". Mesmo assim fui colhida de surpresa pela notícia da sua morte.
O meu Camarada Lino de Carvalho foi um parlamentar brilhante, senhor de uma cultura invejável, tinha conhecimentos profundos acerca das questões da agricultura e acerca de muitíssimos outros assuntos.
Não tenho, aqui comigo, os documentos que ele apresentou na Assembleia da República aquando da discussão das questões do NAV II, mas é reconhecido, por todas as forças políticas, o seu papel preponderante no desfecho favorável, para Santa Maria, desta importante questão.
Ouvi da boca de deputados e de elementos das chamadas Forças Vivas de Santa Maria, envolvidos na defesa da permanência do NAVII em Santa Maria que Lino de Carvalho facultava aos seus colegas de Parlamento todos os elementos que havia coligido acerca do assunto para que eles fundamentassem as suas intervenções e inclusivamente lhes "soprava" argumentos quando eles estavam a intervir. Essas pessoas estão vivas e podem confirmar o que digo, se os seus interesses partidários não falarem mais alto que a mais elementar justiça.
Na altura em que a Assembleia decidiu pela permanência do NAVII em Santa Maria e a sua ratificação pelo recém-eleito governo, houve marienses que reconhecendo o papel preponderante de Lino de Carvalho nesse desfecho dissesse que deveria ser dado o seu nome a uma das ruas de Vila do Porto. Mas a memória dos homens é curta...e a política nem sempre é clara e dá a "César o que é de César".
Um dia far-se-á história e os marienses saberão quem foram os protagonistas da sua história e quem esteve de alma e coração a seu lado e lutou pelos seus interesses sem esperar louros nem acenar a todo o momento a bandeira da vitória à espera de andor ou poleiro.
Paz às suas almas
Obrigada, Camarada Lino pelo teu trabalho em prol daqueles que confiaram em ti.
Até sempre!
Boa semana para todos
Santa Maria, 14 de Junho de 2004-06-10
Ana Loura

Segui com o maior interesse o Campeonato Europeu de Futebol, sem patrioteirismos exacerbados de última hora, mas o coração a pulsar em sintonia com o resto dos portugueses. Fiquei triste com a primeira derrota, emocionei-me e gritei de alegria com cada golo e fiquei "decepcionada" com a última derrota. Fechou-se o círculo. Mas sem margem para dúvida não estou de luto nem chorosa. A Selecção Portuguesa jogou bem e chegou à final. Venha agora o Mundial.



Mas estas lides futebolísticas não me alhearam do fandango em que anda a política nacional, do ar solene com que o Primeiro Ministro aceitou ser a alternativa possível para um lugar na Europa que os preferidos, os mais aptos, recusaram. Não estiveram para se chatear, e o "nosso" Durão lá embandeirou em arco, inchou que nem um sapo e atento, venerando e obrigado aceitou o que os outros recusaram e ainda tentou convencer o Zé Povão que aceitava, em nome da Pátria de nós todos, fazer o sacrifício de arrecadar cerca de cinco mil contos na moeda antiga, por mês. Vejam só o espírito de sacrifício do pobrezinho: deixar a presidência do governo de que é responsável, o país no tem-te não caias económico, no dilema de se se fizerem eleições antecipadas a economia do país ainda se afunda mais e se não se fizerem a gente não votou para o menino terrível do Jet Set ir para o poleiro embora ele até já tenha mudado de atitudes e tenha tomado um ar de sério e ponderado quase Primeiro Ministro por passagem do testemunho partidário e a democracia não é assim que se pratica e onde estão as regras do jogo, não de futebol que esse agora está de recobro, mas da política do Portugal de todos nós?



O ainda Nosso Primeiro calçou uma bota bem apertada ao Presidente da República. Vamos a ver como ele a descalça e se o Povo Português a calça por iniciativa própria e dá um valente piparote no traseiro do partido que anda a brincar e a rir na cara da gente.



A todos boa semana



Santa Maria, 05 de Julho de 2004



Ana Loura

Crónica Nº 19




Pois é, o nosso Presidente de todos os portugueses lá descalçou a bota, mas
acho que ficou com um pedregulho no sapato. Espero que não sejam os pés do
povo a ficar feridos com essa pedra. O futuro está aí à porta e irá julgar
as atitudes quer de Durão Barroso, quer de Jorge Sampaio.

Civismo: dedicação pelo interesse público, pela pátria;
o patriotismo.
Esta é a definição, sinónimo, que encontramos nos dicionários. Ora quem
destrói o património comum, se serve dele sem respeitar aqueles de quem o
património também o é, não tem civismo, não tem dedicação pelo interesse
público, não é patriota.

Ora, os jardins e edifícios públicos, estradas, praias são "interesses
públicos" portanto quem os estraga deliberadamente, quem os destrói, quem
os suja, não tem civismo, não é patriota. A Praia Formosa é um interesse
público, portanto, quem a usa abusando dela e deixando toda a sorte de
detritos que a torna desagradável aos olhos e corpos de quem quer usufruir do
sol e das cálidas águas do mar numa manhã de Domingo, não tem civismo, não
é patriota. Estarão os ouvintes a pensar: Não é forte demais acusar de não
patriota quem nas noites de sábado vai beber uns copos ao bar instalado no
pasto da Maré e devido ou à escuridão da noite ou de cérebro toldado pela
subida da taxa de alcoolémia não acerta com o copo ou a lata no balde do lixo
e ela, que chatice, cai no areal? Talvez, mas a culpa não é minha, é do
dicionário e dos linguistas que não sabem que numa ilha provavelmente da
extinta Atlântida há pessoas que não respeitam o bem comum e só olham para
o fundo dos seus copos.
Talvez que alguém pudesse distribuir uns folhetozitos pelos frequentadores do
referido bar aquando a aquisição da bebida no acto do pré-pagamento com um
mapa a localizar os baldes do lixo e a explicar que deixar cair o lixo no areal
não é um acto cívico.
De qualquer forma chamo a atenção da Câmara Municipal para o facto de à hora
que as senhoras chegam, ontem, na praia já havia muita gente e as senhoras
andaram pelo meio dos banhistas a apanharem o lixo deixado pelos tais
"patriotas".

Soube que o Governo Regional nos vai brindar com a sua presença em mais uma
visita de "desobriga". Os antigos sabem o que era a desobriga: era a
confissão anual que os Católicos eram "obrigados" a fazer pela Páscoa de
Ressurreição. O nosso Governo também pela obrigação instituída vem cá
dizer, pela milésima vez, o que vai fazer mas não vai dizer que não fez,
inaugurar com pompa e circunstância aquilo que por ser governo teve
obrigação de fazer, mas como quem nos deu um chupa-chupa para a gente ficar
muito felizes...
Sei que na reunião de preparação desta visita, o Conselho de Ilha esteve,
mais uma vez, a fazer o levantamento dos nossos problemas para os apresentar
ao Governo Regional e que um deles é o da saúde e a carência de meios
humanos no nosso Centro de Saúde. Está a ser um caso difícil, pois difícil
está o faz-se ver ao nosso governo que o problema de facto existe e se tem
vindo a agravar de ano para ano.
No dia 03 de Setembro de 2001, o grupo parlamentar da CDU, na pessoa do Dr Decq
Mota, apresentou um requerimento à Assembleia, colocando esta questão e
perguntando se o Governo Regional previa "tomar medidas a curto ou a médio
prazo no sentido de serem providas as vagas de enfermeiro e médico existentes
no Centro de Saúde de Santa Maria" e se "Em caso negativo quais são as
razões da inexistência dessas medidas?"

No seguimento destas perguntas foi recebida a seguinte resposta assinada pelo
Secretário Regional Adjunto da Presidência:

1- A população de Santa Maria tem um excelente rácio utentes/médico 1500
utentes /médico.
2- No que toca a pessoal de enfermagem, a Região tem acautelado que os alunos
que terminem os seus cursos sejam colocados segundo um plano que visa a sua
distribuição por todas as unidades de saúde da região.

Etc...
Que dizer que estávamos bem, graças a Deus, mas como agora estamos pior...Bom
bom é que a gente não adoeça e não precise...
Haja saúde e que as festas de inaugurações sejam concorridas e esteja sol e
que a RTP não se esqueça de filmar para que o partido do Governo vá fazendo
uma campanhasinha eleitoral à custa do nosso dinheiro.

Boa semana

Santa Maria, 11 de Julho de 2004
Ana Loura

PS: Irei inserindo as crónicas que faltam à medida em que as for passando para o computador.
Obrigada



posted by asas  # 7/12/2004

terça-feira, Junho 22, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

Esta semana foi uma semana positiva para Santa Maria.

Foram várias as decisões e os eventos que vieram beneficiar a ilha.

Primeiro a noticia de que o Governo da República tinha autorizado a criação da "Gateway" de Santa Maria.

Não é a solução de todos os nossos problemas. Mas pelo menos, uma ligação directa com Lisboa é deveras importante podendo ser uma boa oportunidade para a revitalização da economia local.

Para isso basta que Câmara Municipal, empresários, hotelaria e restauração entendam a responsabilidade que daí advém.

Daí a necessidade, que diga-se em abono da verdade já vem sendo feita, da promoção da ilha no continente. Só que esta promoção não pode ser feita isoladamente como até aqui, deve ser feita em conjunto, numa parceria entre todos os intervenientes neste sector.

Só assim é possível divulgar e promover convenientemente as nossas potencialidades e atrair pessoas à ilha e começarmos, nós próprios, a gerar o nosso tráfego.

Se assim for podemos vir a sonhar com mais do que um voo por semana e eliminar definitivamente o problema das acessibilidades à ilha.

Só dependemos de nós para o conseguir. Fica o desafio!

Segundo foi o evento organizada pelo C.N.S.M o "II Torneio Feminino de Corrico de Barco" mais conhecido pela Prova de Corrico das Senhoras. Mais um evento bem conseguido.

Num dia não muito convidativo, onde o mar deixava antever algumas dificuldades, 94 mulheres cheias de entusiasmo, de garra, de vontade, participaram num desporto, até então tipicamente masculino. Foi digno de ser visto e aplaudido.
Foi pena o tempo não ajudar e os peixes não quererem colaborar.

Contudo não se pode deixar de "Tirar o Chapéu" à coragem, entusiasmo e determinação destas mulheres marienses.

Bem hajam por isso e até para o ano.

Depois foi a nossa selecção que com a vitória sobre a Espanha relançou o país numa competição em que muitos já não acreditavam.

Mas esta vitória, teve também o condão de elevar o nosso orgulho nacional, o nosso ego, a nossa auto estima. No fundo vencemos aqueles que desde a nossa fundação tem sido os nossos "inimigos" mais íntimos.
Foi deveras saborosa. Soube mesmo bem.
Os dados estão lançados para a próxima quinta-feira no confronto com a Inglaterra.
Boa sorte e viva Portugal.

Mas, o que para mim foi mesmo importante e está finalmente a acontecer é algo que espero há quarenta anos.

Já não acreditava ser possível. E como eu, penso que muitos Marienses.

Foi com uma enorme satisfação que ontem ao deslocar-me a Santana, deparei com um sinal de "Trânsito Proibido" ao pé do Hotel de Santa Maria.

Não queria acreditar!!! Obras na estrada em frente ao Hotel ???? Não pode ser!! Mas é.
Finalmente!!! Estão a preparar a asfaltagem daqueles míseros 200 metros.
Esperei 40 anos para ver aquilo acontecer.

Reposto do choque que tamanha surpresa me causou, veio a tristeza e a melancolia natural de quem sabe que vai perder um pouco de si próprio, um amigo, algo que lhe é muito querido.

Então aqueles buracos, que nos acompanharam a vida toda, que já eram nossos amigos, que faziam parte da nossa vida, vão desaparecer? Não é para ficarmos tristes? Já os conhecíamos desde pequeninos, vimo-los "crescer"!

Mas pronto é o preço que temos pagar pelo progresso. Meio século depois põe-se finalmente termo ao grande "enigma" desta ilha:
- Afinal o que tinham, de tão difícil, de tão complicado para resolver, aqueles parcos 200 metros de estrada???

Bem Hajam

posted by asas  # 6/22/2004

segunda-feira, Junho 21, 2004

A crónica do dia
Hoje com Sérgio Ferreira

Sexta Feira, 18 de Junho de 2004


Ontem o Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas, Dr. Jorge Costa, anunciou formalmente a criação da "Gateway" de Santa Maria.

Esta medida, pela qual o PSD luta desde 1998, reveste-se de especial importância para a nossa ilha, principalmente se tivermos em consideração essa grande aposta em termos económicos que é o turismo.

Aquando da decisão do "INAC" que era contrária à criação da "Gateway" e entrevistado pela rádio que acolhe esta crónica, tive a oportunidade de dizer que essa era uma decisão técnica e que esperava que o Governo da Republica soubesse entender as especificidades dos Açores e tomasse a decisão política que fosse ao encontro das nossas aspirações.

Assim foi.

E portanto estamos todos de parabéns.

Mas mesmo estando todos de parabéns, convém lembrar aqueles que defenderam sempre e intransigentemente a criação da "Gateway".

É preciso não esquecer que houve alguns que só se lembraram de tomar posição pública quando as circunstâncias políticas eram favoráveis a tal.

E nesta situação está, nomeadamente, a Câmara Municipal de Vila do Porto que em 1998 e em 2001 optou por um silêncio quase pactuante com a política do então Governo da Republica, presidido pelo Eng. António Guterres, e só agora, quero acreditar que tal não se deveu ao governo ser de cor contrária, é que se lembrou de reivindicar de forma clara e veemente esta justa aspiração dos marienses.

Mas agora nada disso interessa. O que interessa realmente é que o aeroporto de Santa Maria é uma "Gateway".

O que é importante é que com esta medida se abrem novas perspectivas e novas hipóteses para a nossa ilha e principalmente que ao fim de alguns anos de desilusões, relativamente a tantas matérias, Santa Maria vê uma aspiração sua ser consagrada.

Que isto sirva de lição a alguns pessimistas.

Vale sempre a pena lutar por aquilo que acreditamos que temos direito, por muito tempo que leve e independentemente dos poderes políticos que se nos opõem.

O PSD em Santa Maria teve essa postura, os dois deputados que o representaram nos últimos anos também, por isso sentimo-nos satisfeitos, realizados e principalmente com a noção que cumprimos o nosso dever.

Saiba agora Santa Maria aproveitar e potenciar, mais esta oportunidade de desenvolvimento.

posted by asas  # 6/21/2004

sábado, Junho 19, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

(Desculpem-me os leitores mas devido a um problema técnico só agora me é possivel publicar a crónica)

15 de Junho de 2004

Não há fome que não dê em fartura. Assim canta o velho ditado

Este fim-de-semana o que se passou na nossa ilha foi digno de ser visto.

Um fim-de-semana rico em actividades, e para todos os gostos. Como há poucos.

Uma Exposição de Actividades Económicas, uma Feira Agro-Pecuária um passeio turístico de todo o terreno, eleições....

Para uma ilha pequena foi realmente muito coisa.

Só S. Pedro não quis colaborar. O tempo não facilitou.

Na feira de actividades económicas, embora com a ausência de alguns empresários da ilha, o saldo foi, na minha opinião, bastante positivo.

Os stands como uma imagem cuidada, o aparecimento de algumas novidades em termos de produtos e uma simpatia agradável de quem estava presente.

Saliento a importância da participação das Associações que como disse e muito bem o representante local da Câmara de Comercio e passo a citar "...são parceiros de eleição, devido ao facto de organizarem eventos que de alguma forma atraem pessoas à ilha, logo contribuindo para o desenvolvimento da economia local".
Esta inovação fez também com que a feira deste ano fosse diferente.

Estão por tudo isso de parabéns.

Neste fim-de-semana tem também que ser salientado o esforço do Eng. Duarte Moreira e toda a sua equipa (os Serviços de Desenvolvimento Agrário de Santa Maria).
A organização da Feira e o programa com uma grande diversidade de atracções pouco vistas na ilha, só pode ser classificada de "muito bom".

Mas o que para mim foi mesmo importante na organização deste evento por aqueles serviços, e é isto que quero realçar foi o empenho e dedicação e por vezes até, algum sacrifício pessoal, de todos, sem excepção, aliado ao envolvimento e cooperação com os agricultores e lavradores da ilha, na luta que travaram, uma luta titânica contra o tempo que teimou em não colaborar.
Foi verdadeiramente gratificante ver aquele espirito de equipa.
E é este espírito que de vez em quando aparece por cá, que me dá esperança e confiança para encarar o futuro.

É deste espirito de equipa, é desta capacidade de trabalho e de sacrifício, que esta ilha precisa.
É esta auto estima, este "acreditar em nós", este "acreditar que somos capazes" que é urgente desenvolver na nossa ilha.

Foi sem duvida um exemplo de organização e imaginação na resolução de problemas, onde se aplica na íntegra o velho ditado. ?A necessidade aguça o engenho?.

Esta é a lição mais importante que devemos tirar deste fim-de-semana.

Para todos os meus sinceros parabens e votos do mesmo sucesso na organização de novos eventos deste tipo. Os agricultores e lavradores necessitam e a ilha agradece.

Mas, e em cada história há sempre um mas, nem tudo foram rosas.

Existe ums "cardos" que gostaria de referir.

E desta vez não foi a RTP Açores. Esta embora não estando presente sempre enviou um free-lancer que fez o seu trabalho. E sempre se viu alguma coisa.

Desta feita foram mesmo as entidades oficiais.

Sendo este tipo de feiras um acontecimento de grande importância na ilha, não teriam estes eventos ganho muito mais significado se o Senhor Secretário Regional da Economia e o Sr. Presidente da Câmara de Comercio de Ponta Delgada nos tivessem honrado com a sua presença em vez de se fazerem representar por Directores Regionais e vice presidentes?

Eu penso que sim, contudo é só a minha opinião.

Bem hajam.

posted by asas  # 6/19/2004

quarta-feira, Junho 09, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares


Há dias do ano que são especiais e esperados ansiosamente.

Os aniversários, o dia dos namorados, o dia da mãe, o dia do pai, o dia de natal.
Tudo porque nestes dias, se recebem prendas.

Para os mais pequenos o dia dos anos e o dia de natal são os preferidos.

Mas o mais importante, sem duvida é o dia de natal. É o dia de referência.
E com toda a razão.

A época natalícia está imbuída num espírito único e especial.
Os homens ficam mais compreensivos, menos agarrados às coisas materiais, mais humanistas, mais preocupados com os mais fracos, com os mais "pequenos".

Os valores sociais ganham uma nova dinâmica, uma maior magnitude.
O ser humano deixa de ser um número e passa a ser o centro de todas as coisas.

Por tudo isto se diz que "o Natal deveria ser todos os dias" e "sempre que o Homem quiser".

Quem acompanha com regularidade a política regional, verifica que este espirito anda no ar, cheira-se à distância, pressente-se.

E na política os "natais", "os aniversários"tem outro nome. Chamam-se " dia da visita do governo"

Este ano, acredito que Santa Maria, à semelhança do que se tem passado nas outras ilhas pequenas, vai ter o seu Natal mais cedo.
Lá para Julho quando Carlos César e o seu staff, nos visitarem.

Já foi assim na Graciosa, nas Flores e em S. Jorge, onde o nosso Governo Regional, lançou muitas primeiras pedras, alguns novos concursos e prometeu ainda a resolução dos problemas de longa data.

Em Santa Maria, suponho eu, não vai ser diferente. Pela azáfama que se verifica por aí, as nossas prendas já estão no sapatinho.

Vai ser um tal inaugurar as obras de "vulto"aqui realizadas: (1)a rotunda, (2) os triângulos da avenida, (3) o Cais ferry, (4)o abastecimento de água á lavoura, (5) o porto dos anjos.
Todas elas, (no entender de alguns), obras basilares para o desenvolvimento económico da Ilha.

Certamente também será lançado o concurso público para a construção da Marina e a primeira pedra para a Casa de Matança.
São as nossas "prendas", embrulhadas em papel de primeira qualidade, com bonitos discursos e banda de música a acompanhar.

O que fica por dizer nos ditos discursos é que nestes últimos quatro anos tudo isto já deveria ter saído do papel e estar ao serviço dos marienses, caso este governo cumprisse o que prometeu.

Mas não. Nesta política de "protecção das ilhas grandes" o resultado foi o aumento das assimetrias e das desigualdades; e o criar de zonas periféricas dentro da periferia que já são os Açores.

Agora, como se aproximam eleições e como não conseguiram mudar o sistema eleitoral, os votos de ilhas como Santa Maria, já são importantes.

Lembro os menos atentos, que no nosso sistema eleitoral vence quem eleger mais deputados. E neste contexto as ilhas pequenas podem fazer a diferença.
Sendo assim, é necessário e urgente corrigir a estratégia política dos últimos quatro anos.

E lá vem Carlos César, presidente do Governo Regional, tal qual Pai Natal, atender aos pedidos das ilhas pequenas, (hipotecando, se necessário for, o Orçamento Regional para 2005), com as mesmas promessas que não foi capaz de cumprir nos seus oito anos de governo.

E nós, povo, a aplaudir. Gratos pela compaixão de tão poderoso salvador que de nós mais pequenos se lembrou.



Bem Hajam





posted by asas  # 6/09/2004

quinta-feira, Junho 03, 2004

A crónica do dia
Hoje sem Nuno Barata

Uma impossibilidade técnica por parte do Clube Asas do Atlântico mão permitiu gravar a crónica de hoje, em meu nome e em Nome do ASAS as nossa desculpas. Para a semana há mais.
posted by asas  # 6/03/2004

terça-feira, Junho 01, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares


Através destas crónicas tenho aqui manifestado a minha indignação sobre actos, factos e outros assuntos com os quais não concordo.

Mas também tenho aqui elogiado quem, na minha opinião, produz algo em prol da ilha e dos Marienses.

Hoje elegi como tema uma Associação que tenho no coração.O Clube Naval de Santa Maria.

Sendo um Clube ainda jovem, e com poucos associados deve ser acarinhado e apoiado por todos aqueles que amam o mar.

Vivemos numa ilha que tem o privilégio de ter uma costa lindíssima, fundos magníficos e um mar ainda rico em vida.

Temos que aproveitar esta mais valia e aplica-la no turismo, de que tanto se fala como sendo a grande aposta para o desenvolvimento de Sta. Maria.

E aqui o Clube Naval deve ter um papel importante de liderança na promoção e divulgação deste bem precioso, e deve que assumir-se como o "motor", o pólo de desenvolvimento do desporto náutico mariense.

Neste fim-de-semana que passou, este clube organizou a sua prova de referência, o " Torneio Açoriano de Corrico de Barco". Que já vai na decima terceira edição.
Neste evento participaram 36 embarcações e 119 participantes. É muita gente.
De S. Miguel, só vieram duas, isto porque um erro na previsão do tempo intimidou os menos experientes.

O convívio, o desportivismo, o civismo e a franca camaradagem entre os participantes (amadores e profissionais), foi evidente.

A segurança, daqueles que no mar se divertiam e buscavam aquela "captura" que permitisse uma boa classificação, foi uma preocupação constante da organização

Até o tempo ajudou. Dois dias de sol e de um mar calmo e sereno como que feliz por ver tantas amostras na água.

Para além de um pequeno contratempo que criou algum "mau-estar" entre os concorrentes, devido a uma lei que no mínimo só pode ser apelidada de "bizarra", mas que graças ao Bom Senso de todos os responsáveis foi facilmente ultrapassado, tudo correu de feição.

Estamos todos, (organização, autoridades marítimas, participantes e colaboradores) de parabéns.

Sendo esta prova, o maior evento do género na Região; estar bem organizada; ser muito participativa; ter uma assistência enorme (quer à partida quer à chegada); não deveria eu, como Mariense, estar contente e orgulhoso?

Contudo não estou.

E não estou porque os Açorianos não viram!
Não viram, nem ficaram a saber do que uma ilha pequena como a nossa é capaz de fazer. É capaz de organizar.

Não viram, que é possível colocar 36 barcos e 119 pessoas, dois dias seguidos, durante 6 horas agarrados a uma linha com uma amostra na ponta e pacientemente esperar que um peixe se engane e a morda.

E não viram, porque uma televisão que sustenta meia dúzia de "Velhos do Restelo", que é feita por "alguns e para alguns", com o dinheiro dos meus (nossos) impostos, insiste em não mostrar.

E ainda querem que eu acredite que esta Televisão que se intitula de RTP Açores é a televisão de todos os Açorianos!!!

Aqui aplica-se a música do Jorge Palma "Deixem-me rir".


Bem Hajam




posted by asas  # 6/01/2004

domingo, Maio 30, 2004

A crónica do dia

Hoje com Ana Loura

Segunda Feira, 31 de Maio

Crónica Nº 14

Viva o Espírito Santo! Vivóóóó
Viva o Imperador! Vivóóó
Viva a Imperatriz! Vivóóó
Viva os cozinheiros! Vivóóó
Viva os ajudantes! Vivóóó

Antes de vir para Santa Maria para mim impérios era o romano, o turco, o otomano e relacionava a palavra império com os desígnios imperialistas de certos países da actualidade: o imperialismo americano, a tentativa de Hitler de implantação de um império que tantos milhares de seres humanos matou.

Passados dois meses e pouco de cá ter chegado, cheguei a 17 de Março, comecei a ouvir falar em impérios e a perguntar o que eram. Explicaram-me que era ?uma coisa?, um ?sítio? onde se comia de graça. Um Domingo lá fui eu a um império, deixamos o carro na Faneca e atravessamos o pasto e os terrenos até chegarmos ao império, a pé?Suei as estopinhas. Fomos para a bicha que, agora, muitos chamam de fila, debaixo de um sol abrasador e esperamos que as pessoas que estavam lá dentro saíssem. Às tantas ouvi gritarem Viva o Espírito Santo! Vivóóóó e todos os outros vivós e saírem pessoas com um ar satisfeito. No espaço em roda da casa que entretanto soube chamar-se copeira, circulavam dois homens de lenços garridos às costas um com um prato onde estavam 3 copos e o outro com um caneco que se chama canjirão e iam servindo nos mesmos copos vinho a quem queria beber. Aquilo meteu-me imensa impressão?Mas era assim e pronto. Entramos e nas mesas estavam pratos de barro lindíssimos, pintados á mão, e terrinas igualmente de barro, cobertas com pratos, de onde saia vapor que cheirava que regalava. Homens, igualmente com lenços às costas serviam, uns, as sopas e outros a carne. E lá andavam de novo os copos de vinho de boca em boca. Provei a desgosto, mas o vinho era uma maravilha e fazia esquecer a falta de higiene do copo colectivo.

Estive alguns anos sem ir aos impérios, os filhos nasceram e como diz o povo o Diabo não foi ao Império por causa das crianças?Eu não tinha quem me ficasse com eles para eu lá ir.

Entretanto os filhos cresceram e lá foi a tropa toda para os impérios. Os impérios, salvo raríssimas excepções, são realizados em ?paga? duma promessa feita ao Espírito Santo. E uma frase que sempre me impressionou foi ?fulano prometeu um império e agora vai ter pagar pois se não o fizer?o Espírito Santo é vingativo??

Como eu dizia, os miúdos cresceram. Há cerca de 15 anos a escola primária do Aeroporto decidiu, no âmbito das actividade de ligação da escola à sociedade, realizar um império para que as crianças conhecessem as suas tradições. Fez renascer o Império de S. João, das Crianças do Aeroporto. Foram recuperados alguns objectos do referido império (coroa, estandartes, alguma loiça?). A partir desse ano foi formada, Ad hoc, uma comissão que, variando na sua composição, foi tomando a seu cargo a realização do império envolvendo na sua preparação crianças da nossa comunidade.
É engraçado quando se ouve nas notícias da rádio dizer que uma escola da Terceira tem a nobre iniciativa de fazer um império para envolver as crianças nas suas tradições num gesto pioneiro?eu ouvi isso há umas duas semanas atrás?Os senhores jornalistas têm obrigação de investigar antes de fazerem as peças?Se houve pioneirismo foi há cerca de 15 anos na escola do Aeroporto


Hoje a liturgia católica festejou a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e como é tradição realizaram-se os primeiros impérios.
Lá fui eu à copeira dos Milagres. Hoje, Já há estrada para lá, já cada um bebe pelo seu copo e a loiça é bem lavada com os detergentes modernos que matam todos os micróbios

Hoje os Impérios são diferentes na higiene mas continuam a ser lugar de partilha e comunhão.
Jesus aquando a sua ressurreição e ascensão deixou-nos o Paráclito, o consolador, Aquele que harmoniza, irmana. Nenhum acontecimento traduz esta partilha, este irmanar-se como os impérios.
Contrariamente à afirmação de um Espírito vingativo, O Espírito Santo faz, quando nós abrimos a nossa vida à sua influência, com que nos entendamos, com que ?falemos a mesma língua? , nos sentemos à mesma mesa, sejamos irmãos.

Durante as próximas 4 semanas, estarei ausente?aos Domingos não irei aos impérios, mas tentarei na medida do possível não faltar com a minha crónica?sempre há quem me oiça. Até lá fiquem bem
Boa semana.
Santa Maria, 31 de Maio 2004
Ana Loura

posted by asas  # 5/30/2004

sexta-feira, Maio 28, 2004

A crónica do dia

Hoje com Sérgio Ferreira



Alguém se lembra há quantos anos está a ser construído o aterro municipal?

Alguém tem a ideia quanto dinheiro já foi gasto neste investimento?

Não sei!

O que sei é que se calhar a maioria dos marienses já se esqueceu que a nossa lixeira a céu aberto era suposto ser um aterro sanitário.

E é normal que assim seja, depois de tantos anos sem que a obra se conclua o mais certo é as pessoas esquecerem que ela sequer existiu.

Mais grave que tudo isto é que quase de certeza a tela que servia para impermeabilizar o aterro, muito provavelmente já está danificada, tendo em conta os anos e os fogos a que já esteve sujeita.

O nosso aterro, infelizmente, é um bom exemplo da velocidade de execução das obras públicas que se realizam em Santa Maria.

E não pensem os ouvintes que este é um problema menor. Estamos a falar de centenas de milhares de euros gastos, sem que se tire proveito deles, com a agravante de que para aquilo ser um aterro a sério, ainda serão necessários gastar mais uns milhares.

Além do dinheiro é preciso não esquecer que o tratamento dos resíduos sólidos é um problema nas sociedades modernas, que necessita de ser encarado de forma séria e com políticas eficazes, nos sentido de evitar que o impacto sobre o ambiente se venha a tornar preocupante.

Neste capítulo muito pouco tem sido feito em Santa Maria.

Além do aterro não funcionar, a sensibilização da população para a recolha selectiva do lixo ainda não começou, nem sequer senti ainda por parte da autarquia um verdadeiro interesse nesta solução, enfim, mais um sector em que continuamos a marcar passo, aparentemente sem necessidade nenhuma.

Ainda falando de resíduos sólidos, qual não foi o meu espanto quando tive conhecimento que estavam enterrando postes de electricidade velhos, para entulhar o muro que estão a construir em S.Lourenço.

Então criam-se lixeiras especiais para recolher materiais ferrosos e depois é o próprio governo que vai enterrar materiais que tem ferro?

Ou a Secretaria da Habitação e Equipamentos não sabia que os postes de electricidade têm uma armadura em ferro?

É preciso ter cuidado, é preciso dar o exemplo e principalmente antes de se fazerem certas coisas era preferível pensar, para evitar que com um qualquer acto irreflectido se possa comprometer a qualidade ambiental, principalmente em locais sensíveis como a baía de S. Lourenço.

Uma última nota, para lamentar mais uma vez a falta de profissionalismo da Açorline.

E desta vez Santa Maria e os seus empresários foram seriamente prejudicados.

È que é preciso não esquecer que os hotéis que estavam cheios com a vinda das pessoas para o passeio de todo o terreno, agora estão vazios com o seu cancelamento e infelizmente ninguém parece querer assumir a responsabilidade desta situação.

A incompetência desta empresa certamente não serve os interesses do transporte marítimo de passageiros, por isso há que procurar alternativas rapidamente.

Termino aconselhando ao Governo Regional que abandone o silêncio a que se remeteu e comece desde já por revogar a estranha resolução, de Março deste ano, que prorrogava
o prazo de concessão do serviço publico à Açorline até Outubro de 2006.

posted by asas  # 5/28/2004

quinta-feira, Maio 27, 2004

A crónica do dia

Hoje com Nuno Barata

Andava perdido pelos Jornais e nas minhas cogitações muito próprias em busca da Musa inspiradora que me permitisse escrever esta crónica de Hoje.
Em primeiro lugar devo pedir desculpas aos ouvintes pela falta da Crónica da Semana passada, já que os leitores a ela tiveram acesso. As Maravilhas da tecnologia ainda não permitem que se grave um crónica pelo telefone evitando os ruídos de fundo, mas estes não se ouvem no ecrã. Por isso, a semana passada publiquei mas não li a crónica do dia.

Santa Maria está cada vez mais longe dos centros de poder, dos centros de decisão e cada vez mais esquecida pelas autoridades Locais e Regionais. Este esquecimento é, desde logo, fomentado pelos empresários e seus representantes, pela sociedade civil, pela Câmara Municipal, pelos eleitos e não eleitos. Salva-se esta coluna que sempre vai dizendo o que vai mal e bem pela Ilha fora e esperemos que as nossas vozes cheguem o mais longe possível.
Não posso deixar de fazer um reparo à forma displicente como o Partido Socialista trata o ASAS e os seus ouvintes. Na verdade, desde o inicio destas crónicas, já lá vão , salvo erro catorze semanas, aquela força politica nunca conseguiu estar presente com consistência. O seu primeiro membro, a Srª Drª Nélia Figueredo, nunca apareceu e o segundo O Sr. José Humberto Chaves, desistiu ao fim de 3 ou 4 semanas. Deve ser porque estão muito satisfeitos com a forma como a Ilha se está a desenvolver.
Não não é por isso. É precisamente porque não estão satisfeitos mas não têm coragem de o dizer. E assim fica a Ilha mais pobre, sem debate, com a maior força politica arredada das discussões importantes.
Mas eu sou capaz de adivinhar porque estão tão envergonhados os amigos de César e companhia. Há muitas razões. Com o verão à porta a ilha está não transformada num estaleiro, porque isso seria óptimo, mas num monte de buracos e de enredos.
A Ilha já foi bastante prejudicada com o atraso na operação da Açorline, já perdeu 3 fins-de-semana. Os Marienses, perderam a possibilidade de, por exemplo, ir às festas do Santo Cristo, altura em que habitualmente se têm deslocado bastante à Ilha vizinha. Os Marienses vão a caminho de ter um 4º fim-de-semana sem navio, data em estava prevista uma actividade de grande relevância para a Ilha. Um passeio todo-o-terreno turístico que certamente traria muitos e bons visitantes, animando a hotelaria e a restauração locais.
Bem sei que a Açorline irá pagar multas ao Governo Regional, Mas quem paga as percas aos comerciantes da Ilha? Ninguém.

O engraçado é que não ouço os representantes das forças vivas, dos comerciantes, dos industriais, das forças politicas, reclamarem ou tomarem posições públicas. Terão que ser sempre e apenas os partidos da oposição a fazer este papel? Se é para isso então que se acabe com a farsa que é esta espécie de democracia corporativista que só serve para branquear as acções dos Governos, sejam eles de que cor forem.
Talvez alguns dirigentes associativos devam olhar o passado e fazer uma análise retrospectiva e concluirão que foi quando denunciavam as situações que ganharam respeito e notoriedade nos meios político e social.
Santa Maria necessita de reivindicar mais, precisa de estar mais atenta, de ser menos acomodada.

Nuno Barata Almeida Sousa
posted by asas  # 5/27/2004

terça-feira, Maio 25, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

O povo conta uma história engraçada que penso que todos conhecem.
O homem, a criança e o burro.

Se o homem vai sentado no burro é porque é um insensível, "... a pobre da criança é que vai a p".

Se a criança é que vai a cavalo no burro, "...é porque é um tolo então ele que é velho, que não pode, é que vai a pé?".
Se não vai ninguém montado no burro, "...para que quer ele o animal?"
Se vão os dois no burro é "... tratar mal o pobre do bicho".

Esta história exemplifica bem como é fácil criticar. E que quem quer criticar sempre encontra um motivo.

Há quem critique só pelo prazer de o fazer.
Há quem critique por inveja e com o objectivo de denegrir quem trabalha. Há quem critique porque que gosta de se ouvir falar.
Há quem critique para dar nas vistas.
E há ainda, quem confunda "criticar" com "fazer politica".

Nestas crónicas que tenho proferido aqui, tenho tentado não me enquadrar em nenhum dos exemplos atrás referidos. Mas sendo esta a ilha em que nasci e que escolhi para viver não posso deixar de ficar indignado com algumas das opções/decisões que são tomadas e que na minha opinião, põem em causa o bem comum.

E como vivemos em Democracia, tenho direito à minha indignação e posso manifesta-la.

Não tendo encontrado explicação lógica para as tais decisões, bem como, para a falta de coerência entre elas, é evidente que só posso concluir da inexistência total de um plano que trace o rumo para o desenvolvimento pretendido.

Vou enumerar só dois exemplos para não maçar os ouvintes.

(1) Ampliar um porto como no caso do Anjos, (onde no inicio é mais baixo que na ponta), sem reparar o revestimento do antigo, sem criar uma cortina protectora, sem dragar o fundo de forma a aumentar o calado, melhorando as condições de operacionalidade e segurança, não tem cabimento.

(2) Construir Casas-de-Apresto, a triplicar (Vila, Anjos e Maia) para uma ilha que tem um número reduzido de pescadores profissionais, não faz sentido.
No caso da Maia ainda é mais grave porque está-se a investir em casas para guardar equipamentos e artes de pesca, quando a prioridade deveria ser melhorar a rampa de varagem. Esta sim uma verdadeira preocupação para quem a utiliza.

Estes dois exemplos penso que são suficientes para justificar a minha indignação. No entanto não são únicos.

Todos nós sem ser necessário fazer um grande esforço mental poderíamos enumerar mais casos como estes. Basta para isso analisar as obras que estão a ser efectuadas.

Por isso digo com toda a convicção, não pode existir um plano de desenvolvimento para a ilha. Não existe.
E quem nos governa tem que ser responsabilizado por isso.

Os dinheiros são públicos, vem dos meus e vossos impostos.
E como já alguém disse que os tempos são de "vacas magras", temos que utilizar bem as "migalhas" que nos cabem.

Não podemos aceitar obras que não resolvem os problemas.
Não podemos tolerar obras sem serem devidamente pensadas e devidamente executadas.

Agir é diferente de reagir.

Agir é um acto elaborado, pensado, estudado e planeado.

Reagir é um acto irreflectido, impensado e normalmente incoerente.

E para a minha ilha, quero actos pensados incluídos num plano de desenvolvimento a curto/medio prazo que trace um rumo, do conhecimento público e com a participação dos cidadãos

Só assim é possível remarmos todos para o mesmo lado e chegar a porto seguro.

Bem Hajam



posted by asas  # 5/25/2004

segunda-feira, Maio 24, 2004

A crónica do dia
Hoje com Ana Loura



Crónica Nº 13



Bom dia!



Sábado passado quando fui à Vila cruzei com um amigo que vinha com o seu cartão multi-banco na mão e com cara de muito chateado. Tinha recorrido às 3 máquinas existentes na Vila e nenhuma delas satisfez as suas necessidades monetárias, e claro não foi por falta de provimento nas suas contas...



Acontece que as máquinas são exactamente isso, máquinas e só fazem aquilo para que estão programadas para fazerem e se não as alimentam com os euros elas não os podem dar. Se nelas é escrito que a caixa mais próxima fica no Cais do Pico, não pode aparecer no ecrã que a mais próxima fica no terminal do Aeroporto de Santa Maria. Se escrevemos num computador " se você não pagar a sua dívida até ao dia tal procederemos judicialmente" quando imprimimos não poderá dizer " caro cliente você está em falta. Agradecemos que regularize a situação com a brevidade possível"



Mas quanto à falta de dinheiro a um sábado de manhã é uma situação muito aborrecida. Custa a entender que seja possível nenhuma das 3 caixas existentes, duas na CGD e uma no BCA, não terem dinheiro no início de fim-de-semana. Ou estarão as 3 avariadas, o que não é provável, ou alguém, pelo menos duas pessoas, se esqueceram de por ou puseram lá poucas notas.



Imaginemos que o Golfinho tinha vindo, como o previsto, lá ia aquela gente de S Miguel para lá dizer mal, mais uma vez, de Santa Maria. E com toda a razão. Não faz sentido uma pessoa querer gastar do seu dinheiro, fazer umas compritas de artesanato mariense que por acaso até não se vê à venda e não poder comprar nem as bugigangas que têm colado o nome de Santa Maria e são feitas numa linha industrial qualquer da Baixa da Banheira ou Barcelos e podemos encontrar com rótulos de outras terras nas feiras, festas e romarias do continente. Vai mal o Turismo de Santa Maria se quem nos visita não poder levantar o seu dinheirinho nas caixas automáticas e não poderem comprar coisas genuinamente marienses.



Outra coisa que não entendo é como o Governo Regional assina contractos com a Açor Line e esta empresa sistematicamente dá início à sua operação tarde e a más horas. Como é possível ficarem impunes quando os contribuintes dos subsídios que esta empresa recebe para operar ficam no cais de embarque a xuxar no dedo com as férias ou os fins-de-semana estragados porque os gestores da Açor Line se lembraram que tinham que ter o barco operacional tarde e a más horas...e ninguém é responsabilizado, ninguém presta contas, ninguém indemniza. Isto é uma palhaçada...e ainda vêm cheios de sorrisos frente às câmaras e quase garantem que a viagem programada para Sexta a tarde se realiza e o pessoal vai para o cais para embarcar e fica a ver navios em seco...



Bom, mas como tristezas não pagam dívidas, senão as instituições bancárias que engordam com os juros que pagamos e não nos prestam serviço de tarelo aos fins-de-semana não nos mandariam aquelas cartas "simpáticas" e os comerciantes andavam se sorriso de orelha a orelha, vamos é na Quinta Feira, rir das nossas misérias e grandezas E(faz bem à alma e alivia o stress) ao assistirmos à Revista Omessa que irá à cena no Cinema do Aeroporto. Vale a pena, está muito boa, digo eu, porque participo e me divirto à grande.



Divirtam-se que esta vida são dois dias...e esperemos que o Golfinho navegue, haja dinheiro para gastos e artesanato genuinamente mariense.



Bom dia e boa semana!



Vila do Porto, 24 de Maio de 2004



Ana Loura


posted by asas  # 5/24/2004

sexta-feira, Maio 21, 2004

A crónica do dia
Hoje com Sérgio Ferreira


Esta semana sem dúvida ficou marcada pela polémica em torno da Açorline.

Todos os orgãos de comunicação social se pronunciaram sobre o assunto, um colega cronista já escreveu uma crónica versando o mesmo tema e penso que houve quase unanimidade na crítica a esta empresa.

A Açorline optou por um silencio bastante comprometedor e quando finalmente se pronunciou sobre a matéria teve o desplante de dizer que a operação do navio não estava atrasada uma vez que o início da mesma podia ser sempre até ao final de Maio.

Como se tal atrocidade não bastasse, o administrador da empresa ainda foi mais longe congratulando-se com o facto de as viagens possivelmente começarem hoje o que segundo ele era bastante bom uma vez que ainda faltavam vários dias para o fim do mês.

Certamente o que este senhor se esqueceu foi que publicou um horário onde as viagens teriam o seu início a 04 de Maio;

Esqueceu-se que houve pessoas que programaram as suas vidas baseadas nestas datas;

Esqueceu-se que algumas actividades e eventos são programados em função da horário que a empresa publica;

Enfim esqueceu-se que para gerir um negócio destes, que ainda por cima é um serviço público muito bem pago pelo governo, é necessário profissionalismo, coisa que certamente esta empresa não tem.

Sem querer estar com alarmismos não posso no entanto deixar de estranhar o facto de este barco que esteve parado durante seis meses, tempo mais que suficiente para fazer todas as inspecções e obter todas as licenças, continuar a apresentar tantos problemas.

A acrescer a isto é preciso não esquecer que já o ano passado, o barco esteve parado por não cumprir as exigências em termos de segurança, necessárias para navegar com passageiros.

Uma questão óbvia resulta de tudo isto:

Será que já não vai sendo tempo de trocar de barco ?

Não sei, mas que tudo isto é muito estranho e de alguma forma preocupante, sem dúvida que é.

Por outro lado não se pode deixar de estranhar o silêncio do governo.
Onde anda o Sr. Secretário da economia que perante todas estas situações ainda não prestou qualquer declaração ?

Será que se esqueceu que esta empresa é concessionária de um serviço público que é pago pela região ?

Será que se esqueceu que se esse serviço público existe é porque é fundamental para o turismo inter ?ilhas ?

Ou será que está calado porque não lhe interessa fazer muitas ?ondas? em período de pré-campanha ?

Prefiro acreditar que não e francamente prefiro acreditar que o governo está a estudar toda esta operação, no sentido de apurar se a Açorline e o Golfinho Azul ainda continuam a oferecer garantias no tocante ao transporte marítimo de passageiros.

Em jeito de conclusão espero que o Golfinho Azul escale hoje Santa Maria, situação que ainda não está garantida e que de futuro cumpra com todas as viagens programadas de forma eficiente, com qualidade e sobretudo na máxima segurança.

posted by asas  # 5/21/2004

quinta-feira, Maio 20, 2004

A crónica do dia

Hoje com Nuno Barata

Hoje, por razões logísticas e de horário não foi possível gravar a crónica do dia. Contudo aqui fica uma crónica escrita sobre um dia passado na Capital do império e com o sentido nas nossas Ilhas.

Estar na FIL e andar pelo Parque das Nações não dispensa uma passagem pelo Centro Vasco da Gama, essa mini catedral do consumo, mais não seja para uma refeição rápida. Foi o que nos aconteceu. Enquanto o meu parceiro de negócios engraxava os sapatos refastelado de fronte de um desses empresários em nome individual, no caso ?engraxante individual?, que dão a volta às contas da Manuela Ferreira Leite, fui dar uma olhada de roda. Foi então que vi um cubículo denominado "Gostinho Açoreano". Subiu-me o ego ao enredado de massa cinzenta que guardo, a custo, dentro do crânio e o Coração ficou cheio que nem uma bexiga de porco em dia de matança. Para meu maior conforto e regosijo, destacava-se no fundo da loja uma fotografia do nlugar\ de São Lourenço, por enquanto, é um dos melhores lugares para se estar de entre os que conheço. Depois. Bem depois veio o pior. O pior momento do dia e o pior momento desta viagem de trabalho que sempre serve para descanso. Num letreiro dizia:
Gostinho Açoreano;
Specials of the Day , bem este specials of the day podia ser uma "calfonisse". Relevei, afinal as "calafonisses" também fazem parted a Açoriamidade;
Depois a ementa do dia, ai não me aguentei e quase larguei um pingo de água salgada pelas "ventas" a baixo. Mas não, apetecia-me era dar pelas ventas do tipo que deu o nome de gostinho Açoreano a um tasco que tem como ementa do dia:
Bacalhau à Gomes de Sá;
Esparguete à Bolonhesa;
Strogonoff de peru;
Picanha à Brasileira.

Para culminar numa campanha perfeita para promover os Açores, só faltavam as palavras do Pedro Mata ou da espanhola Patrícia Navarro que diariamente prevêem, Céu geralmente muito nublado com boas abertas, possibilidades de aguaceiros dispersos.

Por isso temos o turismo que temos. Duas dúzias de escandinavos sem dinheiro que vêm às nossas Ilhas porque é barato ( palavras de Sara Mortensen da Solresor à RTP -Açores há dias) e não têm dinheiro para ir a mais lado nenhum.

Estamos a transformar os Açores numa espécie de prostituta a 5 ? o serviço.

Bem hajam.



posted by asas  # 5/20/2004

terça-feira, Maio 18, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares


Vivemos em ilhas cercadas por um mar Oceânico.
Somos um povo de marinheiros e a história prova-o.
Homens como Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral, Diogo Silves, ligaram continentes, descobriram ilhas, abriram "caminhos".

Nos tempos mais recentes os nossos baleeiros que em pequenas embarcações, construídas localmente, enfrentavam o gigante do mar.
São exemplos de coragem e bravura
Não tenho dúvidas de que para nós Açorianos, o Mar está nos nossos genes. Faz parte da nossa vida. Vemo-lo todos os dias.
Dele muitas famílias tiram o seu sustento.
O Mar une os Açorianos na alegria e na tristeza.

Por isso ligar os Açores por via marítima foi, na minha opinião, a grande "aposta" deste Governo Regional. Resultou em pleno.

" O Barco vai de saída..." canta, Fausto.

Com a introdução deste meio de transporte, as nossas ilhas ficaram mais perto. Deixamos de estar a 100 ou 150 euros de distância.

Para ilhas pequenas como Santa Maria, a aposta no turismo, faz agora todo o sentido. Os transportes são um elo importantíssimo neste ciclo.

MAIS! Uma ligação marítima, sendo mais barata e permitindo trazer o seu próprio meio de transporte, abre a possibilidade de nos visitarem em fins-de-semana prolongados ou até em mini férias.

A realização de eventos como os Raids, o Rally, o encontro de Motards previstos para este ano, só são possíveis se existir este meio de transporte.

Tudo isto, para uma economia frágil como a nossa, tem um peso enorme.

Pena é, que nem todos tenham consciência da verdadeira dimensão disso.

Só assim se justifica que uma empresa que recebe milhões de euros de "apoios" do Governo Regional não tenha cumprido o que prometeu aos Açorianos.

Refiro-me obviamente à Açorline (e aos seus Directores).

É incompreensível que em dois anos consecutivos esta empresa não consiga cumprir o calendário proposto.

É inadmissível que em seis meses, não tenha sido possível preparar um navio para navegar em conformidade com o exigido pela lei.

È inconcebível que nada se faça para apurar responsabilidades (pelo menos que seja do conhecimento público).

O que sei, é que mais uma vez, não pude utilizar um transporte que é subsidiado com dinheiros públicos, e que não sei ainda quando o poderei fazer.

O que sei, é que nem eles, os Gestores da dita empresa, sabem (se...) para quando haverá navio.

O que sei é que a minha ilha está ser prejudicada por um Navio que, neste momento, não é uma festa mas uma farsa.

Na ilha foram realizados investimentos (privados e públicos) para responder condignamente às solicitações daqueles que nos visitam e que se esta situação se protelar no tempo, poderá daí advir graves prejuízos.
Quem os vai pagar?

E os utentes que, com base nos horários publicados, marcaram as suas férias. Vão ser indemnizados?

Pode até ser que exista uma justificação para tudo isso. Quero acreditar que sim!.
Como não estou na posse de todos os dados, posso não estar a efectuar uma avaliação correcta. Mas se isto não é incompetência, anda lá muito perto.

Errar é humano! E toda a gente erra. Mas repetir o erro é ?.!

Bem Hajam








posted by asas  # 5/18/2004
SEGUNDA-FEIRA 17 DE MAIO


A crónica do dia

Hoje com Ana Loura


Têm estado na ordem do dia, nas notícias, nas conversas de café, duas questões relacionadas com o transporte aéreo e Santa Maria. Uma é a das Gateway (portas de entrada de transportes aéreos) e a outra a tarifa única de transporte.

Quanto à Gateway, uma antiga, justificada e viável ambição mariense, sou de opinião de que foi um erro o Governo Regional ter colocado no mesmo saco Santa Maria e o Pico. Creio que esta atitude teve como razão que a facilidade de implementação da medida em Santa Maria, puxasse pelo Pico e fossem aprovadas ambas.
Santa Maria tem um aeroporto com todas as condições técnicas e logísticas. Se a medida for aprovada num dia poderá ser implementada no dia seguinte.
Já o caso do Pico é diferente quer logística quer tecnicamente: a pista do Pico terá que ter dimensões que permitam aterragem de aviões de grande porte, uma aerogare com condições para voos grandes, controle aéreo de Torre e outras que não serão de fácil concretização e implicam o dispêndio de avultados montantes de dinheiro.
Receio que esta opção tomada pelo Governo de enfiarem no mesmo saco Santa Maria e o Pico, pelas dificuldades de concretização neste último, pesem numa decisão negativa que penalizará Santa Maria.
Houve neste caso falta de visão política.

Relativamente à tarifa única concordo inteiramente com ela, só estranho que a SATA não a esteja a aplicar, neste momento, esse critério nas suas promoções e estas existam só para os micaelenses, pois se um açoriano de qualquer outra ilha quiser "aproveitar" a promoção terá de pagar a passagem de ligação da sua ilha para S Miguel o que em alguns casos representará o encarecer a tarifa de tal maneira que esta ultrapassará, então, a tarifa de residente, ou, então ir a nado...o que não será muito prático.
Não entendo como pode uma companhia onde há capital regional, financiada com dinheirinho nosso, possa ter atitudes discriminatórias em relação aos habitantes das diferentes ilhas. Não sei, até, se isso será constitucional...açorianos de primeira, os residentes em S Miguel, e os outros.

Para terminar vou dar, finalmente, a minha opinião sobre um assunto que já fez correr rios de tinta e saliva nos últimos meses. Não me pronunciei mais cedo porque queria ver em que paravam as modas ver o aspecto e funcionalidade finais para depois, em consciência, dar opinião.
É certo que eu nunca tive dificuldades em transitar, passar, circular nas quatro canadas...se ia para a Praia, não tomava qualquer precaução, piscava para a direita, isto se vinha da Vila, e lá seguia eu toda lampeira à minha vidinha. Se vinha da Praia, fazia Stop, esticava o pescocinho e caso não viesse carro da direita ou da esquerda lá ia eu toda contente. E foi assim durante anos. Quando me apercebi e ouvi falar da construção da rotunda fiquei surpresa: pra que raio quer a gente uma rotunda?? Lá vai o Governo Regional esbanjar dinheiro em tolices... Olha a casa é tão linda...Lá se vai o mapa da ilha que o Senhor Saul (pelo que me disseram) mandou fazer há anos...enfim, tanta coisa eu pensei. Tenho lido e ouvido diversas opiniões, quase todas contra. Passei lá na semana passada e ontem e a minha opinião sincera é que está funcional e tirando aqueles dois calhaus (ainda se fosse uma pedrinha da Cré...) até está muito bonita e como eu não tenciono ir passear para lá os meus cães as caixas de saneamento não me metem aflição embora eu ache que se elas ficassem à face do passeio estariam melhor e quem sabe ainda as vão por assim. E lá está o mapinha que há vinte e tal anos tanta gente criticou e apelidou jucosamente com um título que não repito por impróprio de ser dito ao microfone. Acho que a rotunda é uma mais valia pela funcionalidade e pela estética...são gostos eu sei e eu gosto.

Vou esperar tranquilamente pela solução que está a ser implementada junto à escola primária...para já ainda é uma tremenda confusão e eu ontem até já me enganei. Penso que mesmo que provisória deveria de ter de imediato sinalização horizontal: os traços contínuos, os triângulos. Estou confiante que também venha melhorar a circulação na nossa Vila. E até já ouvi dizer que vai ter repuxo e tudo...modernices...Veremos. Aguardarei por que esteja pronta para dar o meu palpite.

Santa Maria,17 de Maio 2004
Boa semana
Ana Loura

posted by asas  # 5/18/2004

quinta-feira, Maio 13, 2004

A crónica do dia

Hoje com Nuno Barata





Santa Maria, a quem alguns chamam de Ilha Amarela, corre o risco de se tornar na Ilha dos Elefantes Brancos.

Há cerca de 14 anos foi construindo no Cais de Vila do Porto um entreposto Frigorifico à dimensão planetária que nunca foi convenientemente utilizado e explorado.
Na verdade, só uma vez recebeu pescado que lhe lotou a capacidade e foi por uma contingência do mercado e da falta de capacidade de escoamento. Tudo isso foi no tempo em que se julgava que nos Açores havia muito peixe e que se ia desenvolver o sector da pesca. Afinal, as expectativas goraram-se. O atum desapareceu do mar dos Açores, os armadores mudaram de vida e a pesca artesanal não necessita de frigoríficos mas de aviões, ou melhor de espaço de carga nos mesmos.

Passada a euforia do Atum, entrou-se na quimera do peixe-espada preto, experiências e mais experiências e no final das contas o resultado está à vista. O entreposto Frigorifico de Vila do Porto está vazio, que é como quem diz ?às moscas?.

Entretanto construíram-se casas de aprestos para os pescadores quando se poderia ter utilizado o espaço do entreposto para essa finalidade. Bastava desmanchar algumas câmaras obsoletas e adaptar o edifício. Mas não, a opção foi construir mais uma infra-estrutura nova, que felizmente está a ser utilizada, vetando ao abandono a existente.

Mais recentemente houve uma oportunidade de ouro para a reconversão do edifício. Podia ter sido transformado em gare de passageiros mas a sua localização distante do porto inviabilizou o processo. Assim foi criado mais um elefante branco, um cais ferry e uma gare de passageiros tema que já tratamos sobejamente.


Qual o futuro do entreposto de Vila do Porto. Só vejo duas alternativas:
Uma é a que parece ser a escolhida por este Governo do PS, abandonar a estrutura à espera que o sector da pesca dela necessite e apareça mais um louco que pretenda alugar a mesma para lá desenvolver a sua actividade. E lá vamos indo de projecto em projecto reduzindo o edifício a quase nada;

Outra, mais arrojada, mais prática e mais eficiente é potenciar o edifício esquecendo as sua potencialidade originais., Podendo ser mantida a Zona destinada à primeira venda de pescado e à fabricação de Gelo para abastecimento das pequenas embarcações da Ilha, todo o restante edifício poderá ser transformado num centro polivalente de serviços, onde possam ser centralizados os serviços do Estado (Registo Civil, Conservatórias, notariado, Finanças e Tribunal) e ainda uma pequena galeria comercial e uma oficina de artesanato e posto de turismo para apoio aos forasteiros e não só.
Há que ter coragem em dar a volta às coisas. Com a criação de estacionamento já previsto o projecto do Cais Ferry, com a futura construção de uma marina, a zona do cais poderá tornar-se numa cada vez mais aprazível zona de lazer em Vila do Porto.

posted by asas  # 5/13/2004

terça-feira, Maio 11, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

O mundo está louco!
A humanidade não anda bem.
Até o tempo mudou, dizem os mais velhos.

Quem está mais atento aos noticiários rapidamente chega à conclusão
De que, vivemos nos dias de hoje, um enorme crise de valores.
Tiram-se e mostram-se fotografias de presos de guerra como se de troféus de caça se tratassem.
"Atropelam-se" barcos no mar pondo em risco de vida três homens e continua-se como se nada fosse.
Ladrões são postos em liberdade devido a erros processuais.
Caçam-se animais até à extinção.
Destroem-se habitats sem dó nem piedade.
Em nome do progresso tudo é permitido.

É este o nosso mundo.

Se Sócrates vivesse agora e tivesse que ir levar filhos à escola, apanhar transportes, estar em filas no supermercado morar em "caixotes de betão armado" a que chamamos apartamentos, e mais tudo aquilo a que somos obrigados, não seria, com certeza, o grande detentor de conhecimento que foi.

São os tempos modernos.
Hoje o ?corre-corre? do dia a dia, o Stress do dia de trabalho, associado a uma pressão constante da urgência das coisas, exige tanto de nós, que não nos deixa tempo para pensar.

2004, que já vai a meio é um daqueles anos onde tudo tem que ser feito depressa. Não importa se bem executado, se bem projectado, se bem pensado. O importante é esteja pronto a tempo.
É sempre assim em ano de eleições.
Na nossa ilha, pequena e pacata este frenesim também já chegou.
João Villaret declamava assim:
""na nossa aldeia que Deus a proteja vai sair a procissão"
Sim é verdade! Vai sair (até Outubro) uma "procissão" de obras.
Foi a Rotunda e agora o Triângulo da Avenida, (obras da Secretaria Regional da Habitação e Equipamentos); O Cais Ferry onde se trabalha de dia e de noite e o levantamento topográfico para a marina. (obras da Secretaria Regional da Economia); Protecção da orla marítima nas Baias da Praia, S.Lourenço, Maia e Anjos, (obras da Secretaria Regional do Ambiente); As Casas de Apresto e o Porto dos Anjos (obras da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas).

Os "Deuses devem estar Loucos".
Ou melhor o Governo deve estar para vir a Santa Maria. Na minha opinião diria que em Julho. Como convém.

E mais uma vez se atira "areia para os olhos" dos Marienses, com obras de pura demagogia politica, de pequenos montantes, valores insignificantes no orçamento da região. As migalhas do bolo.

Desafio todos a irem ver as obras de protecção da orla Marítima realizadas Praia e na Maia; vão ao Porto dos Anjos e vejam onde estão a edificar as famosas Casas de Apresto.

Gastou-se milhares de contos para criar um parque para embarcações em que são os próprios pescadores a dizer, que não é seguro, pois o mar salta a muralha.

Agora está-se construir as ditas casas no único lugar onde, e com alguma relutância, era possível deixar um barco.

Não seria mais lógico escavar a encosta e fazer as casas embutidas na muralha reconstruindo depois, o muro de pedra?

Na minha opinião era o mais correcto, até pelo impacte visual que causa, mas claro, um pouco mais caro. E como as migalhas já são poucas...

Além disso para quê esconder o betão e deixar á vista o muro de pedra escurecido pelo tempo? Não ficava a condizer. Destoava no cinzento ?lindíssimo? do cimento existente em toda a Baía.

Obviamente, ao que parece o que está a mal e a mais nos Anjos são as rochas de basalto negro que o mar esculpiu. Quase extintas pela mão do Homem.
Mas, e como frequentemente ouço dizer, aqui na minha ilha, e por pessoas que muito respeito... ?não está bom, mas sempre está melhor do que antes?.

Eu não concordo e sinceramente dispenso. Quero obras sim! Mas que sejam necessárias, bem projectadas, bem executadas e que destruam o mínimo possível.


Bem Hajam

posted by asas  # 5/11/2004

segunda-feira, Maio 10, 2004

A crónica do dia

Hoje com Ana Loura



Impossível tirar os olhos do ecrã da televisão. O horror atinge tais limites que incrédula e boquiaberta penso estar a assistir a um filme de terror. É pura ficção o que os meus olhos vêm. Mas a voz do locutor fala no português habitual dos nossos noticiários e o que vejo é real: seres humanos, tão humanos quanto eu, torturam e humilham outros seres humanos, tão humanos quanto eu e quanto eles próprios. "Seres humanos" nascidos e criados na nação "mais civilizada" do planeta Terra são os actores principais deste filme. Como, há muitos anos, no Far West não conheceram limites para conquistarem (quem conquista sempre rouba, diz o Fausto) aos índios as terras e os recursos para se poderem fixar e enriquecer e fazerem dos Estados Unidos um país rico onde a miséria e o desrespeito pelas minorias são de dimensões que ultrapassam a riqueza, os contrastes são escandalosos, um país de Roquefellers e de gente que morre de fome nas ruas perante a indiferença de quem passa, não conhecem limites para se imporem como nação política e economicamente poderosa.



Num delírio da mais absoluta loucura divertem-se com o sofrimento e a humilhação que perpetram a filhos do povo que foram "libertar" das garras de um tirano que pelo menos tinha o mesmo sangue que os "libertos".

Falou-se neste Domingo no Apocalipse. Perguntou-se com que olhos olhamos o futuro, se há esperança, se o amanhã de paz é possível.


Sinceramente eu começo a ter vergonha de pertencer a esta humanidade, de saber que o ser humano é capaz de ultrapassar os limites da dor dos outros para seu prazer e alegria. Isto não é novo: tive oportunidade de ver um pouco do filme A Paixão de Cristo, exactamente a cena da flagelação em que os romanos invasores da palestina em nome da mesma "liberdade e Paz" que justificou que o exército Americano, com a conivência de alguns outros países incluindo o nosso pela mão do Senhor Barroso, invadisse o Iraque, flagelassem e crucificaram um inocente (os flageladores soltavam urros de felicidade ao flagelarem Cristo, os olhos brilhavam com o mesmo prazer que vimos nos olhos dos soldados americanos)...

Impossível que os graduados americanos desconhecessem o que se estava a passar. Agora vem o Presidente Bush dizer que lamente e irão ser abertos inquéritos...Bulshit, como eles próprios dizem.



"Dou-vos um mandamento novo" disse o crucificado. Foi isto há dois mil anos... Haverá, ainda, esperança? Confio, apesar da tristeza que sinto, que ainda há, senão tudo seria em vão.



Boa semana

Santa Maria, 10 de Maio de 2004



Ana Loura


posted by asas  # 5/10/2004

sexta-feira, Maio 07, 2004

A crónica do dia
Hoje com Sérgio Ferreira

Todos os marienses sabem que a obra do paquete na Praia Formosa começou tarde e a más horas.

Todos os marienses têm a noção que aquela obra deveria ter sido programada por forma a que quando começasse a época balnear tudo estivesse pronto.

Infelizmente não foi assim que aconteceu, mas, como diz o ditado popular ? não vale a pena chorar sobre o leite derramado?.

Agora o que realmente interessa é se a obra vai ficar boa, se constituirá uma mais valia para a Praia Formosa e se em termos de impacto ambiental se enquadra nesta zona tão sensível.

E aqui é que começam os problemas realmente graves.

É que por aquilo que se consegue perceber do que está a ser feito, estão criadas para já duas situações que de forma alguma podem ser admitidas:

- A escada de acesso à praia nasce dentro de um muro que além de feio avança a área edificada em direcção ao mar;

- As obras ao que tudo indica serão para continuar mesmo durante a época balnear.

Quanto à primeira questão não tenho dúvidas em afirmar que se trata de um ?crime?.

Todos sabemos que o que impede o assoreamento em boas condições é o facto de a praia não ter largura, portanto, diminuir ainda mais a área de assoreamento, e ainda por cima no centro da praia, é inadmissível.

Quanto a esta questão penso que ainda se vai muito a tempo de pôr o muro abaixo e construir umas escadas bonitas, funcionais e que não constituam qualquer espécie de barreira ao mar.

Pior do que errar é persistir no erro.

Consequentemente penso que é de bom senso parar a obra enquanto é tempo e junto do gabinete que a projectou efectuar as alterações que são necessárias.

Não sei se é isso que a Câmara Municipal de Vila do Porto está pensando fazer, se é está de parabéns, caso não seja, estamos perante mais um atentado às nossas zonas balneares.

Nem sequer o facto de se atrasar a obra pode ser alegado, uma vez que de qualquer maneira aquela estrutura só entrará em funcionamento no próximo ano.

Tendo em conta exactamente o facto de este bar só funcionar no próximo ano, penso que seria mais vantajoso para a população e para o local em si parar durante a época balnear.

Já pensaram os incómodos e aspecto que dará ter em pleno verão obras a decorrer no centro da praia ?

Desde logo teremos o problema do pó, do barulho, do congestionamento do trânsito naquela zona, da segurança, de menor capacidade de estacionamento e acima de tudo teremos a parte central da praia inutilizada.

A Câmara não se pode esquecer que a única responsável por a obra não estar pronta é ela própria e que portanto é a ela que compete agora arranjar as soluções para que a época balnear não seja prejudicada nesta zona que sem duvida é a mais procurada de Santa Maria.

2005/05/07

posted by asas  # 5/07/2004

quinta-feira, Maio 06, 2004

A crónica do dia

Hoje com Nuno Barata

Estónia
Letónia
Lituânia
Polónia
República Checa
Eslováquia
Hungria
Eslovénia
Malta
Chipre
Entre os dez novos Estados-membros estão oito países ex- comunistas que estavam na esfera de influência da ex-União Soviética (Polónia, República Checa, Hungria, Eslováquia, Eslovénia, Lituânia, Letónia e Estónia) e duas ilhas mediterrânicas (Chipre e Malta).
Bem vindos a esta Europa que se quer das nações, da velocidade única, dos anseios únicos.
A coligação Força Portugal apresentou a sua lista de candidatos às próximas eleições europeias de Junho. No seu seio uma figura de grande prestígio e jovialidade do panorama politico Regional, herdeiro da perseverança de um povo que soube resistir à adversidade e aos maus humores e caprichos do clima. Duarte Freitas descende de gente do Pico, Gente que soube tirar da terra as pedras para no seu lugar lançar as sementes do pão e do vinho. Gente que afrontou a dureza dos mares e levou longe o nome dos Açores.
Levaremos longe o nosso nome, numa união de facto e de direito que fará de nós ainda mais fortes.
Somos agora 25 Estados membros e um mercado de cerca de 455 milhões de europeus unidos.
Unidos pelos valores do respeito pela pessoa humana que são o fundamento da civilização europeia, decididos a defender os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade entre os cidadãos assim como entre as Nações,
Convencidos de que a União Europeia não poderá ser construída e prosperar senão no respeito das soberanias e das democracias nacionais, e que ela só poderá existir se for uma força independente, necessária ao equilíbrio mundial.
Estamos unidos por:
- Uma Europa fundada na liberdade de decisão das Nações, pois a diversidade é a primeira das riquezas, e não uma Europa federal que subjugaria as soberanias nacionais e destruiria as identidades dos povos europeus.
- Uma Europa democrática, respeitadora dos cidadãos e das vontades nacionais, capaz de lutar contra as nefastas consequências burocráticas, tecnocráticas e supranacionais.
- Uma Europa de solidariedade entre todas as classes sociais e todas as regiões, capaz de realizar a igualdade dos homens e dos territórios numa Europa que saiba defender o ambiente, proteger as cidades da sobrepopulação e do declínio urbano e que permita ao mundo rural e às regiões periféricas prosperar e desenvolver-se.
- Uma Europa forte que não se submeta a uma qualquer hegemonia política, económica ou cultural, que desenvolva uma política de assuntos estrangeiros com cunho próprio.
- Uma Europa generosa, no respeito pelos países menos desenvolvidos, nomeadamente da zona ACP, e aberta às nações europeias que desejem entrar na União.
Faremos na Europa o que for preciso, o que for necessário para salvaguardar os interesses regionais e nacionais das nossa frágeis economias. O movimento Força Portugal será a mais eficaz voz dos Açores no Parlamento Europeu. Sem compromissos, sem traumas, sem passado, Duarte Freitas será dos poucos deputados que poderá marcar a diferença.
Viva Santa Maria, Viva os Açores, Força Portugal

Nuno Barata Almeida e Sousa
posted by asas  # 5/06/2004

terça-feira, Maio 04, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

Ao fim de dois meses de crónicas tenho aqui, levantado questões e referido temas que considero importantes para o bem estar daqueles, que tal como eu, escolheram Santa Maria para viver.

Tenho evitado criticar por criticar. Tento fazer mais. Criticar sim, mas ao mesmo tempo apresentar ideias e sugestões que penso poderem ser um contributo à sua resolução.

Assim e seguindo a mesma lógica trago hoje à reflexão mais uma questão que considero pertinente. A pesca profissional na nossa ilha.
Comenta-se que a arte de pescar com "redes de malhar" vai ser proibida ainda este ano. Eu sinceramente não acredito. Estamos em ano de eleições.
Esta informação embora não confirmada mas que já circula no meio é deveras preocupante. E tal como a moeda tem duas faces.

Vejamos!

Segundo as informações disponíveis foram exportadas cerca de 70 toneladas de Veja para a Madeira durante 2003.
Para uma ilha com o nosso perímetro de costa é sem dúvida uma quantidade significativa. Estas 70 toneladas representam só o valor exportado. A ele temos que associar o que foi comercializado na ilha, e o valor (impossível de ser contabilizado) resultante da pesca de pedra ou da pesca submarina que muitos de nós por lazer praticamos.
Tudo isso, na minha opinião (e como não sou técnico é só a minha sensibilidade), representa, dizia eu, uma enorme pressão concentrada numa só espécie.
Que consequências poderão daí advir?
É evidente. Uma redução constante dos estoques.
E portanto, no meu entender, alguma coisa tem e deve ser feita na protecção da espécie e dos recursos.

Vejamos agora o outro lado da moeda.

São várias as embarcações que se dedicam à pesca da Veja utilizando as redes .
Primeiro porque é a mais rentável, pois o preço devido á exportação está mais ou menos garantido.
Segundo porque é uma pesca mais eficaz pois mesmo havendo dias melhores do que outros há sempre a possibilidade de se efectuar um boa captura.
Finalmente, com pequenas embarcações podem utilizar os diferentes portinhos da ilha, aumentando assim o número de saídas para o mar, o que naturalmente aumenta os seus rendimentos.

Mas para além dos pescadores ainda temos que considerar mais dois intervenientes:
- A LOTAÇOR e os seus funcionários, pois grande parte do pescado que por ali passa é a Veja, sendo portanto um factor importante e que justifica a existência de uma lota aberta o ano inteiro

-E os exportadores de peixe que fizeram investimentos em redes de frio e que dependem directamente desde tipo de pesca.

Por tudo isso a proibição pura e simples desta arte de pesca, se por um lado visa a defesa e preservação da espécie e dos nossos recursos marinhos, por outro lado as consequências económicas para os pescadores que dela vivem (e na ilha são pelo menos 7 embarcações) e para a ilha são inaceitáveis.

Ora aqui está um problema, onde os interesses são antagónicos e colidem entre si.

Assim penso que antes de ser tomada qualquer medida no sentido de proíbir esta arte de pesca, deve ser realizado um estudo pelas entidades/autoridades competentes, afim de ser avaliado o real estado dos estoques e qual o esforço de pesca que suportam.
E então sim, partir para uma política de quotas por embarcação, áreas de defeso ou outras soluções do género.

Agora acabar por acabar, mesmo que para tal se indemnize os pescadores, penso não ser a melhor solução e na minha opinião nem sequer deveria ser ponderada.

A bem dos pescadores e da ilha.

Bem Hajam

posted by asas  # 5/04/2004

segunda-feira, Maio 03, 2004

A crónida do dia
Hoje com Ana Loura



Como já disse eu não alinho muito com os dias mundiais seja do que for. Acho que, se é importante lembrarmo-nos das coisas elas deveriam ser lembradas todos os dias. Mas a sociedade está assim organizada e lá comemoramos nós o dia Mundial da Criança e aí os miúdos têm tratamento especial nas escolas, dão passeios, comem gelados, vêm filmes, aturam os palhaços que detestam (lembro que uma vez veio cá um palhaço e vi um miúdo com tanto medo dele que chorava agarrado ao pescoço da Mãe), fazem-se colóquios sobre os problemas da infância e pensamos com muita solidariedade nas coitadinhas das criancinhas carenciadas que provavelmente existem mas que estão fora do alcance da nossa vista e muito mais do coração. Depois, há o dia do Idoso, vamos aos asilos, ah, desculpem já não se diz asilo mas Lar de Terceira idade, damos florinhas aos idosos, um docinho não muito doce por cauda da diabetes, saímos e não nos lembramos deles nos próximos 364 dias.



Nesta semana que passou entre outros dias mundiais, nacionais e afins comemorou-se o Dia Mundial do Trabalhador. Não vou dissertar acerca da sua origem Mas vou reflectir sobre o que ele representou num passado recente e o que representa na actualidade.

Eu ainda sou do tempo (adoro esta frase...como ela me faz antiga e conhecedora de factos e situações que os novos desconhecem) em que o sindicalismo era clandestino, em que o governo corporativo português tinha pavor que os trabalhadores conversassem, se juntassem e unissem em torno fosse do que fosse. Sindicatos legais, só os formados pelos bufos dos patrões. Mas os sindicatos existiam e apesar de proibidos eram fortes, tinhas sócios e dirigentes que trabalhavam nas organizações e estavam sempre sujeitos a serem denunciados por algum colega mais lambe-botas. Eram famosos o dos bancários, dos metalúrgicos, dos escritórios, dos ferroviários e mais uns quantos.

Quando aconteceu o 25 de Abril as organizações sindicais tinham poder reivindicativo, eram respeitadas, tinham poder negocial. O Primeiro de Maio foi durante anos uma grande festa. Festa no verdadeiro sentido da palavra, festa em que se festejava sem esquecer que era preciso continuar a lutar pelos direitos laborais. Durante alguns anos a vida em Portugal melhorou, aumentou o poder de compra, os direitos dos trabalhadores foram consignados na lei. Mas quando a alternância democrática fez chegar ao governo partidos ligados aos patrões e ao dinheiro começaram os pequenos ataques a esses direitos, começamos a apertar o cinto, por outro lado as organizações sindicais começaram a desmembrar-se, de um sindicalismo vertical, de classe e forte começaram a aparecer os sindicatos paralelos, o sindicalismo horizontal. Os patrões que antigamente negociavam com um sindicato que representava quase todos os trabalhadores começa a ter mais do que um interlocutor, começa a ver que contentando um dos sindicatos já tem a guerra sindical quase ganha. Temos actualmente sindicatos para todos os gostos e o resultado disso são os contractos a prazo, a perda do direito a um emprego estável. Os contratos a prazo tornam-nos mais fracos pois temos de "andar sempre em sentido" senão no fim do contracto: Rua! Não podemos "levantar cabelo", temos de ter toda a polivalência que o patrão entender. Lá se foram os contractos colectivos, lá se foi a unidade dos trabalhadores.



Tem esta reflexão a ver com a indiferença com que vimos passar o Dia Mundial do Trabalhador, o Primeiro de Maio. Os trabalhadores ficaram em casa, não festejaram nem reivindicaram. Não estão preocupados com a avalanche de despedimentos e de falências. Há uma apatia e uma falta de participação que me preocupa, me faz pensar nos próximos actos eleitorais, no exercício de um direito fundamental para a democracia: o voto. Cada português que se abstém de votar abre a porta ao oportunismo político, enfraquece cada vez mais a democracia.



A tendência crescente para a abstenção é preocupante. O descrédito em que está a cair a democracia tem que ser seriamente estudada e encontradas formas de envolvermos, de novo, todos os portugueses na vida democrática.



Espero que, com esta pequena reflexão tenha contribuído para iniciar o debate sobre as suas causas e a forma de alterarmos o estado de apatia instalado relativamente à vida política Regional, Nacional e Europeia.



Boa semana para todos

Ana Loura

Santa Maria, 03 de Maio de 2004


posted by asas  # 5/03/2004

sexta-feira, Abril 30, 2004

A crónica do dia
Hoje com Sérgio Ferreira

Não vou falar hoje sobre o 25 de Abril, uma vez que já foi, e bem, evocado pelos meus colegas cronistas nos dias anteriores.

Vou falar tão só daquilo que mais importante resultou desta revolução que apesar de ter sido promovida por uns quantos foi acima de tudo o grito de liberdade do Povo Português.

Liberdade de nos organizarmos em partidos políticos, liberdade de expressão, liberdade de contestarmos o poder instalado, liberdade de criar e tantas outras liberdades que se resumem num só conceito que é o de LIBERDADE.

Esta magnífica conquista tomou conta do quotidiano do Povo Português, passou a não fazer parte das nossas preocupações, ou seja banalizou-se, mas atenção, não deixou de ser menos importante por isso.

E é bom que assim seja, é bom que vivamos sem preocupações no tocante à nossa liberdade pessoal e colectiva, mas também é bom que estejamos sempre atentos a qualquer tentativa de eventualmente a coarctar.

É que apesar do regime democrático estar consolidado, apesar de não se conhecerem sérias ameaças à liberdade, existem aqui e ali algumas atitudes que sem porem causa o regime são no entanto, por vezes, persecutórias e intimidatórias da liberdade de cada um.

Estas atitudes derivam em grande parte de dois factores:

- O medo que algumas pessoas têm, mesmo trinta anos depois, de contestarem o poder instalado, calando-se e permitindo certas atitudes por parte desse poder, que caso as pessoas não se calassem certamente não se verificariam;

- O tempo que ainda continua a ser permitido aos agentes políticos exercer determinado cargo.

Este ultimo factor tem desde logo como resultado, a acomodação.

Com o tempo, o político, que é humano, vai-se acomodando, começa a pensar que o cargo que é publico é dele, tendencialmente começa a não suportar a crítica mesmo que construtiva e, mesmo que involuntariamente, toma atitudes tendentes a calar toda e qualquer oposição.

Além disso a tentativa de perpetuação no poder, leva a que se criem clientelas e estas clientelas obviamente só se mantêm com algum favorecimento público.

Conclui-se daqui que a limitação de mandatos, impedindo qualquer pessoa que ocupe cargos políticos, de se perpetuar no poder é importante, beneficia a democracia e certamente evita estes desvirtuamentos do conceito de liberdade.

Nada do que se passa é verdadeiramente preocupante, mas não deixo registar o aparecimento aqui e ali de atitudes mais próprias de “caciques” do antigamente que encapotados no regime democrático tentam de alguma forma subverter as grandes conquistas de Abril.

- Favorecimento na atribuição de empregos;
- Favorecimento na atribuição de subsídios;
- Tentativas, mais ou menos claras, de calar a oposição;
- Falta de diálogo com a sociedade civil;
- Não admitir criticas, mesmo que estas sejam construtivas e justas;

São algumas formas de coacção e de pressão que amiúde se verificam por parte de quem exerce o poder, sem ter a verdadeira noção que o mandato não é dele é do povo e que não é eterno é passageiro.

Por isso é aos cidadãos que compete denunciar qualquer forma de pressão que tenham conhecimento, assumindo assim as suas obrigações de cidadania nesta sociedade que se quer livre e democrática.

E atenção que as atitudes que atrás falei, não partem do partido A ou do partido B, partem de todos aqueles que querem o poder pelo poder, muitas vezes mesmo daqueles que só em dia de comemoração se lembram de pôr um cravo ao peito, clamando cinicamente pelos ideais da revolução.

Os ideais de Abril são do povo, não têm dono, e é bom que todos os dias, quem ocupa cargos públicos, se lembre desta frase que apesar de velha e muitas vezes cantada se mantém perfeitamente actual.

“ O povo é mais ordena dentro de ti ou cidade”.

posted by asas  # 4/30/2004

quinta-feira, Abril 29, 2004

A crónica do dia
Hoje com ou melhor sem Nuno Barata

Não houve crónica. As minhas desculpas aos leitores e aos ouvintes. Bem sei que pouco vos interessa se digo ou não digo se faço ou não faço. O facto é que me esqueci da crónica, estou com um problema de esquecimento crónico. Pois até quinta que já gravei na agenda de quarta para não me esquecer da crónica.
A todos e especialmente à Direcção do ASAS do Atlântico, expresso as minhas mais sinceras desculpas.

posted by asas  # 4/29/2004

terça-feira, Abril 27, 2004

A crónica do dia

Hoje com Emanuel Soares

Trinta anos passaram

Trinta anos sobre aquele dia histórico, 25 de Abril de 1974.

Um punhado de homens teve a coragem e o engenho de pôr termo a um regime que durava há quase meio século.
Uma revolução que pôs fim à guerra nas ex-colonias , criou um novo Estado e relançou a esperança de um povo.
Este punhado de homens planeou e realizou uma revolução que foi um exemplo para o mundo. Uma revolução sem sangue.

Na altura, por ser criança não compreendi a grandeza deste acto. Que seria isto de ser livre? Eu era livre. A minha liberdade só era limitada pelas ordens dos meus pais. E estas continuavam a existir e a condiciona-la. Continuava a ter horas para chegar a casa, tinha que fazer os deveres da escola, continuava a ter que obedecer, no fundo era livre como sempre fora.

Hoje compreendo perfeitamente o quão importante foi o 25 de Abril, e presto aqui a minha homenagem como cidadão livre que sou, a estes homens que tornaram possível este bem precioso que é democracia.

Devido à coragem de homens como Salgueiro Maia e Otelo Saraiva de Carvalho entre outros, sou livre de escrever estas crónicas e aqui expressar a minha opinião.

Sou livre de eleger quem me representa.
Sou livre de participar na vida politica.
Sou livre de pensar diferente e dizê-lo a toda a gente.
Sou livre de criticar aqueles que “usam” a revolução que foi de todos, para fazerem campanha política (como aconteceu este fim-de-semana aqui na nossa ilha).
Sou livre de mudar.

Sérgio Godinho diz numa das suas musicas “…só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e de decidir…”.
Esta liberdade é hoje uma realidade, basta que tenhamos a coragem de a usar.

Usa-la é ir votar, é ter um papel activo na sociedade, é manifestar nos locais certos a nossa opinião, é exigir aquilo que desejamos e aquilo a que temos direito

Pergunto, se aqui em santa Maria, utilizamos todos este direito que nos foi legado por aqueles homens em Abril de 74?

Tenho sérias dúvidas.

Quando em qualquer acto eleitoral verificamos uma abstenção de mais de 40%.

Quando nas Assembleias Municipais não existe participação dos cidadãos.

Quando se coloca á discussão pública este ou aquele projecto e não aparecem sugestões.
Será que estamos a usar a nossos direitos?
È verdade que somos livres de o não fazer. Mas estou certo que este não era o espírito da revolução.

Refiro de novo Sérgio Godinho que diz assim:
“Viemos com o peso do passado e da semente;
esperar tantos anos torna tudo mais urgente;…”

É urgente que mudemos a nossa maneira de ser e de estar e deixar de “ir andando com a cabeça entre as orelhas”.
É urgente sermos mais activos na defesa das causas da ilha
È urgente alterar o estado das coisas.
É urgente honrar aqueles que fizeram a revolução e estavam dispostos a dar a vida pelos seus ideais no fundo pela democracia.



Bem Hajam








posted by asas  # 4/27/2004

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